Maria só é ofensa para quem não gosta de mulher

Por Otávio Ogando

Você me chama de Maria. Te digo uma coisa: Obrigado.
Sim, obrigado.
Maria. O nome mais comum entre as mulheres. Maria, mãe de Jesus. Maria, minha mãe, minha irmã, minha filha.
Não sei para você, mas para mim mulher é um elogio, não uma ofensa.

Obrigado por me comparar com a melhor criação divina.
Seres extraordinários, que lutam por seu espaço em uma sociedade fechada. Que são obrigadas a provar seu valor todos os dias. E provam. Que carregaram famílias inteiras nas costas, no braço e no ventre.
Obrigado.

We_Can_Do_It!

Se você não gosta de mulher, me desculpe mas eu gosto muito. De mulher e da mulher!

É muito comum torcedores pelo Brasil xingarem os adversários com nomes de animais. Porco, Macaco, Franga,Gambá, Urubu, Bacalhau. Mas só uma torcida considera ofensa chamar o rival por um nome de mulher.

E é mesma torcida que por muitos anos afastou as mulheres da arquibancada.

A mesma que tenta ser homofóbica, mas na verdade canta músicas enaltecendo o sexo entre homens.

A mesma que diz que ganhar é melhor do que mulher.

Esses, definitivamente, não gostam de mulher.

E me preocupa muito que tipo de mensagem estão passando para os seus filhos e para as suas filhas? Vocês acreditam mesmo que as mulheres são serem inferiores, desprezíveis e que devem ser odiados?

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Para o time do povo, Maria é um elogio, não uma ofensa. O time que com o tempo abraçou toda a sociedade, independente da sua classe social, raça ou gênero. Na nossa torcida tem muita mulher e a gente se dá muito bem. Mulheres que entendem de futebol como poucos. E temos o orgulho de ter como torcedor símbolo, a grande Maria Salomé “Cinco Estrelas” da Silva!

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E como diz o cruzeirense Milton Nascimento:

Maria, Maria
É um dom, uma certa magia,
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta

Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida

Quem sabe um dia essa música não será cantada por todos como um hino.

Porque aqui, nós amamos as mulheres.
E Viva as Marias!

Por Otávio Ogando

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Era uma vez em Belo Horizonte: A Crônica sobre as origens dos times da capital Mineira

Era uma vez em Belo Horizonte

Crônica sobre a história do futebol na capital mineira

28 e Julho de 2013

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Por Otávio Ogando

Era uma vez, uma mãe bem gorda e carinhosa. Ela tinha dois filhos e os tratava com o mesmo amor. Eles tinham nomes bem comuns e por isso todos os chamavam pelos apelidos. O mais velho era o Bicudo. Um garoto forte, sério e organizado.  Andava sempre alinhado e não se misturava com ninguém.  Cenoura era o filho mais novo. Mais descolado, saía com a galera, bebia cachaça e sonhava ser músico. A família morava em uma fazenda e tinha muito dinheiro.  Os garotos passavam o dia inteiro jogando bolinha de gude. O mais novo era bem mais habilidoso e o mais velho era muito forte e vingador.

Tudo corria bem até que o mais novo ganhou dez vezes seguidas do mais velho! Nesse dia foi uma briga feia! Eles brigaram tanto que a mãe teve que construir uma casa para cada um. Cenoura ganhou uma casa bonita e verde. Que ele mesmo ajudou a construir. Estava adorando essa nova independência. Bicudo ficou enciumado e começou a reclamar. Chorou tanto que a mãe teve que construir uma casa ainda maior, porque a criança simplesmente não parava de chorar.

– Maior!, dizia. Maior!

A Mãe era rica, mas não tinha dinheiro suficiente para o tamanho do capricho do filho. Não restava saída a não ser pedir ajuda ao Pai das crianças para construir a nova casa. O Pai era um senhor bom, muito rico, mas um pouco mulherengo. Em uma dessas escapadas, engravidou uma bela jovem italiana, filha de um pequeno padeiro da cidade. A esse novo filho, o chamavam de Parafuzo, porque era miúdo como o macarrão e adorava pregar peças.

Ao saber da traição, a Mãe Gorda mandou colocar fogo na padaria e matar toda a sua família. O incêndio queimou tudo, mas como último suspiro, a jovem deu a vida para salvar o filho.

O Pai, arrependido da traição, concordou em construir uma casa bem grande, do tamanho do Maracanã. Mas tinha uma pequena condição. A Mãe Gorda teria que aceitar que o filho de fora do casamento também morasse nessa nova Casa Grande.  E tinha que cuidar do pequeno Parafuzo como se fosse seu filho. Ela pensou: “Essa casa é bem grande, cabem os dois. E esse moleque é tão pobrezinho e franzino que rapidinho morre. Dá até dó, coitado! Hahahahaha”.

O mais velho não gostou nada de dividir a nova Casa Grande com aquele garoto estranho, mas foi convencido pela mãe de que seria temporário. Em breve a casa seria só dele.

E assim foi. A Mãe Gorda olhava para os três com muito amor. E se sentia bem consigo mesma: “Como sou acolhedora e hospitaleira”!

O tempo foi passando e aquele menino franzino foi crescendo e ficando um pouco mais forte. E timidamente admirava os novos irmãos jogarem bolinha de gude. Ficava visivelmente encantado com a habilidade do mais novo, o Cenoura. Lá do seu canto, afastado dos outros, Parafuzo inventava partidas fictícias contra oponentes imaginários. E assim, todas as tardes brincava sozinho e se divertia um montão. Às vezes, o mais novo lhe ensinava algum truque, mas a Mãe Gorda sempre interrompia:

– Já disse que não quero ver você com esse bastardo!

O orgulho da Mãe Gorda era ver os filhos nos campeonatos de bola de gude. E resolveu inscrever os três em um torneio nacional. Sua intenção era humilhar aquele moleque franzino na frente de todos e provar que seus filhos legítimos eram melhores que o filho de uma estrangeira qualquer.
Mas não foi bem isso o que aconteceu.
Bicudo, o filho mais velho, foi logo eliminado na primeira fase.
Cenoura, conseguiu ir mais longe, mas a boemia sempre parecia um atrativo melhor.
Para a surpresa de todos, o moleque franzino foi avançando, avançando até chegar a final.
A Mãe Gorda dizia: “Que sortudo esse menino. Uma pena que não vai ser campeão. Mas tem muita sorte. Sorte pura. Hahahaha”.

E de fato a disputa final foi bastante complicada. Seu concorrente era um negrinho chamado Gasolina, um primo do interior que foi fazer a vida no litoral de São Paulo. Diziam que ele era o Melhor do Mundo.

Todavia, com criatividade e habilidade fora do comum, o moleque franzino conseguiu ganhar a primeira partida dentro de casa. E também ganhou de virada a partida fora, surpreendendo a todos no país! Parafuzo era o Campeão Nacional de bolinha de gude!

O pai estava vaidoso! A Mãe gorda fingia orgulho, mas no fundo ela se arrependia de não ter matado aquela criança. Ela se sentia ferida e humilhada. Precisava mostrar pra todo mundo que o filho dela era muito melhor. Mas Bicudo por mais que tentasse não levava o menor jeito para bola de gude.
Então, a Mãe ligou para a Avó das crianças, uma senhora muito poderosa, e exigiu que seu primogênito entrasse para seleção Brasileira, que ia disputar o Mundial.  E fez questão que desconvocassem o moleque franzino, porque ali não era o lugar dele, dizia. Ela ia provar para o mundo o valor do seu filhinho, custe o que custar.

A Avó, uma velha ainda mais gorda e extremamente autoritária ligou para o treinador e forçou a entrada do Bicudo na seleção. Ninguém no país gostou. Muito menos na seleção.
O técnico disse: “Cuide de seu ministério, que eu cuido da escalação do meu time”.
A Avó, sem titubear, mandou cortar sua cabeça e botou outro bem mais obediente em seu lugar.

Dito e feito. Bicudo foi convocado e viu do banco de reservas o Brasil ser Tricampeão Mundial…de bolinhas de gude.

Mas a Mãe Gorda ainda não estava satisfeita. Tinha que fazer de tudo para que o seu filho pudesse ganhar um título e enfim ser campeão brasileiro. Estava disposta a qualquer coisa, inclusive a se misturar com a “gentalha”. Então foi procurar as classes mais pobres. Se entregou às massas e usou seu poder para fazer as pessoas acreditarem nisso.

E sabe de uma coisa? Essa mistura fez muito bem pro Bicudo… Ele ficou mais bem humorado, mais descontraído e até um pouco mais habilidoso. Mas, a arrogância e o sentimento de vingança nunca o abandonaram. E o pior. Para atrair os mais humildes que estavam encantados com o carisma de Parafuzo, a Mãe gorda inventou um monte de mentiras sobre o moleque franzino. Mentiras que são contadas até hoje. Inventou que ele era esnobe, muito moderno e até que ele não era brasileiro.

Uns acreditaram. Outros não.

O tempo passou e Bicudo foi melhorando. O contato com o povo surtiu efeito. E, anos depois, com a imprescindível ajuda da massa, o filho mais velho conseguiu finalmente ser Campeão Brasileiro de bolinha de gude!

A Mãe gorda ficou feliz. Felicíssima! Não se aguentava de contentamento. Ficou tão feliz que decidiu que era hora de expulsar o filho franzino da Casa Grande. Teve a brilhante ideia de mandá-lo para um intercâmbio bem longe. Mandou o Parafuzo pra bem depois da cordilheira dos Andes, num lugar frio e isolado chamado Santiago do Chile.

E lá foi o menino franzino e assustado.  O início foi difícil, outro idioma, outra cultura. Mas o garoto já estava acostumado a ser um estranho no ninho. E com seu carisma nato, sua habilidade fora do comum e uma dose de molecagem, Parafuzo saiu de Santiago com o título de Campeão da América!

Foi sua Libertação! Voltou então para o Brasil disposto a tomar conta da Casa Grande que seu pai lhe deu! Afinal, também era herdeiro legítimo daquele lugar. Resolveu peitar a Mãe Gorda e má! E foi uma briga feroz. A Mãe não estava disposta a perder de novo. Vendeu tudo o que tinha para investir na carreira dos filhos. E para ser ainda mais eficaz, ela decidiu escolher apenas um dos dois. Optou pelo que chorou mais alto. Escolheu Bicudo e renegou Cenoura.

E assim, viu o filho mais velho ficar com o Rei na barriga. Ele passou a ganhar todas as disputas domésticas. Bicudo foi crescendo e, quanto mais habilidade adquiria, mais arrogante ficava.  Mas, não importava o quanto jogava bem, ele nunca conseguia ser campeão de um título importante. Nunca. Quando chegava a alguma final, sempre esbarrava em Zé Urubu, um outro moleque super mimado filho de uma Mãe ainda mais gorda. Uma Mãe Carioca que também usou a tática de se aproximar das massas. E o que é pior, usava a tática de se aproximar da arbitragem também.

Bicudo seguia tentando em vão. Cenoura se entregou à boêmia, recolheu-se à sua pequena casa, mas sem perder a alegria jamais.  Já Parafuzo sofreu muito com as mentiras e com o isolamento. Passou anos sem conseguir um título. Parecia que seria o fim.  Finalmente o filho mais velho e mimado dominaria as ações.
Mas algo faltava àquele moleque arrogante e antipático.  Algo inexplicável. Algo que separa os bons dos maus.
Ele não conseguia ser campeão de novo.
A mãe gorda chorava: “É o azar, só pode ser azar. Meu filho é o melhor do mundo”!

O tempo passou. E o filho mais velho seguia recebendo toda a atenção, mas não conseguia ser campeão.

Então, Parafuzo decidiu que era hora de buscar outras terras e partir para onde ele era querido. Pôs o pé na estrada e foi fazer sucesso mundo afora. E assim colecionou títulos internacionais. Todo ano era um. Supercopa. Recopa. Libertadores. O moleque franzino foi crescendo,  crescendo e se tornando um gigante. Era o sucesso entre todos, dentro e fora da cidade! Voltou e começou a mandar na Casa Grande de novo. Sempre subestimado e comendo pelas beiradas, começou a mandar no Brasil também. Morta de inveja, quanto mais o menino ganhava, mais mentiras a Mãe Gorda contava. Só que agora as mentiras não faziam efeito. O moleque era astuto, combativo e jamais vencido.
Eis que, em um belo ano, Parafuzo foi além. Conquistou a famosa tríplice coroa da bolinha de gude. Feito inédito no país. Em um só ano, ele conquistou tudo que poderia ter conquistado. Foi a maior façanha de um jogador de gude de todos os tempos.
Já não havia como comparar os dois filhos rivais. As disputas ficaram cada vez mais desiguais. Era 5×0, 5×0 de novo, 6×1. O menino franzino se tornou o verdadeiro dono da Casa Grande!

A Mãe Gorda ficou louca! Seu filho era chacota nacional. Ela tinha que fazer algo e rápido! Agora era guerra! Ela começou a se prostituir. Deu pra banqueiro. Deu pra político. Roubou até a casa do filho mais novo e deu para o mais velho. Foi uma vergonha. Valia tudo para ver o filho campeão.

Tanto fez, tanto fez, que finalmente o Bicudo conquistou a tão sonhada taça de campeão da América. Hoje o Brasil inteiro acha o filho dela um amor e ela morre de orgulho.

Fim.

Por Otávio Ogando

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Leia também: 7 razões para o título do Cruzeiro que você não vai ver em nenhum jornal

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Obrigado, Senhor!

18 de Dezembro de 2014

Como a fé ajudou o Cruzeiro a se tornar um clube campeão e ao mesmo tempo uma filial da Universal. 

Por Otávio Ogando
Cruzeiro x Goiás. Mineirao . 2014. Jogo do bicampeonato brasileiro.  Gol do Cruzeiro. Um bandeirao tradicionalmente sobe na maior torcida organizada da história do clube.  E o que se lê é de surpreender qualquer pessoa no estádio.
adeus
A Deus toda Glória.
Me pergunto. Que p… é essa?Cade os palavrões? As caveiras, a foto de um guerrilheiro, de um mafioso, uma provocação ao adversário? Coisas que são comuns em um estádio de futebol.  Cade o símbolo do clube? A raposa estilizada, a logo da torcida?
Nada. Só a frase.
A Deus toda Glória.
Adeus? Não, a Deus. Ah, só!
Termina o jogo. Todos os jogadores com uma camisa branca e uma frase. Qual? A Deus toda Glória.
De repente, todos os jogadores se juntam atrás do gol, fecham os olhos e, de pé, o lateral Ceará começa a pregar. Como um pastor.  Palavras bonitas saem de sua boca. Por maior que seja a euforia pelo bicampeonato, todos escutam.
Ceara pastor
Nessa hora imagens saltam na minha cabeça.
Jogadores ajoelhados apontando para cima na comemoração do gol. De vários na real!
Lembro de outro gol. Marcelo Moreno celebra com seu eterno momento de humildade cristã:

“Eu não, Ele!”

E afinal, isso me incomoda?
Porra nenhuma! O time é bicampeão brasileiro!
Como diria Larry David: Whatever Works.
E nesse momento eu percebo que o elemento crucial para o momento atual do Cruzeiro, não são sete razões, mas apenas duas letrinhas:
Fé.
Só uma coisa é capaz de domar um jogador de futebol mais no que o casamento. Capaz de unir mais que uma excursão. Motivar mais que uma torcida. E isso se chama religião.
Então, nesse misto de emoções contraditórias, surge o goleiro Fábio, em uma volta olímpica solitária carregando uma faixa com a frase. Você sabe qual.
A Deus toda Glória.
O capitão olha para a arquibancada e aponta para faixa. Penso na frase que li em algum lugar. “De tanto falar em Deus, Fábio se tornou um.”
No dia seguinte descubro que, obviamente, a idéia tinha o dedo dele. E claro, capitaneada por sua esposa, Sandra. Ela está para o grupo de esposas dos jogadores do Cruzeiro como seu marido está para o time.
Hoje, ateus e cristãos coexistem em harmonia. Paulo André, um novo líder dentro do time, um tenente abaixo do capitão Fábio como ele gosta de colocar, entendeu seu lugar e  respeita a fé dos companheiros, ajoelha nas comemorações, mas só não aponta para cima.
Tem também o  Arrascaeta, que chegou agora, tem suas crenças, sua cultura, e constrangido ou  até mesmo perdido, aponta os dois dedos para cima.
dois
Mas vamos terminar pelo começo. De onde surgiu tanta Fé no Cruzeiro. Claramente foi germinado pelo seu Capitão. Está certo que a relação jogador de futebol e Igreja evangélica existe desde o atletas de Cristo, mas foram as palavras de Fábio e sua esposa, que contagiaram todo o grupo.
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E para ser justo, o Cruzeiro não é uma filial da Universal. Está mais para filial da Batista da Lagoinha ou da Getsemani.
Se Fábio é o pregador do time, o elemento divino que trouxe união ao grupo, de onde surgiu a Fé do goleiro?
Como toda história, a superação tem início em uma tragédia. E a tragédia de Fábio foi o afamado gol de costas contra o Atlético, no dia 29 de abril de 2008. E pra quem não lembra, ele era o único a dar raça naquele jogo, que contou com erros grotescos de arbitragem. Mas só se lembram do gol. Fábio nunca escondeu que aquele foi o ponto de transformação na sua vida. Ali ele encontrou a palavra.
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29 de Abril de 2007. Era o dia do meu aniversário. Um dos melhores dias da história do Cruzeiro. O dia que iniciou a transformação do clube nessa potência hegemônica no cenário nacional. Ali nascia o bicampeonato. Ali nascia esse grupo unido.
Obrigado, Senhor!
Valeu, Fábio
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E muito obrigado, Vanderlei.

Quanto vale uma vitória?

13 de Fevereiro 2014

Por Otávio Ogando

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Qual é o seu preço?
Quanto vale um vitória?
Será que vale a pena criar um ambiente hostil para o time visitante? Impedir um clube de fazer o reconhecimento do gramado, apagar a luz e cortar água do estádio para conquistar três pontos?
Será que vale a pena ofender um jogador de macaco, manchar a história de um país e perpertuar um pensamento de intolerância entre gerações?
Será?
Será que vale a pena subir para a Série A no tapetão criando revolta em todos os demais torcedores do país e envergonhando o seus próprios torcedores?
Vale a pena cortar a energia de um estádio durante uma semi final de Libertadores só porque seu time não consegue marcar um gol?
Rojões na madrugada? Água batizada? Gol de mão? Juízes comprados? Manipulação de resultados? Cêra? Catimba?
Diz aí?
Qual é o seu preço?
Para você, quanto vale uma vitória?

Por Otávio Ogando

A Copa das Mulheres

14 de Junho de 2014

Por Otávio Ogando

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A COPA DO MUNDO FIFA BRASIL 2014 começou e um só sentimento toma conta de todos os brasileiros.

Fomos enganados! É tudo uma farsa!

A expectativa de festas homéricas e diversão sem limites foi incrivelmente frustada logo nos primeiros dias de Copa. A verdade é dura. A realidade é simples. Não veio mulher. Não veio. Não vieram. Não tem. Não se encontra. Só tem homem. Por onde você olhe, por onde você ande. Só homem. No Brasil, por terra, por ar ou por mar, bondes chegam sem nenhuma presença feminina. É triste.

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Em Copacabana, fileiras de trailers apinhados de argentinos, eufóricos com cada e qualquer ser que se assemelhe com mulher. Em um bar 40 bósnios bebem e gritam palavras intraduzíveis. Nenhuma bósnia. As notícias de BH são de que tem 20 colombianos para cada grego. Nada de Shakira. Nem Deusa Atenas.
 
Em Salvador, espanholas de barba. 
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Maldito seja Cristiano Ronaldo e aqueles três gols que eliminaram a Suécia. Maldita Seleção Paraguaia, que não se classificou e deixou Larissa Riquelme tímida e sem lugar na Fan Fest. Malditas sejam as manifestações que assustaram as mulheres do mundo. Malditos sejam os cinegrafistas de outras Copas, que com suas super lentes, nos davam a falsa impressão de que a Copa era um evento repleto de musas internacionais. Eram agulhas no palheiro. Malditos!
 
Opa, mulheres! 
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Tarde demais…
 
Juro que ouvi um senhor falando com seu amigo na orla. “Não sei se estou velho ou amando mais minha mulher, mas não estou vendo nada que eu goste.” Pobre coitado. Meu senhor, você não vai encontrar nada, porque não tem nada! Você foi enganado! Sediar a Copa é um erro. Melhor que sediar é ter a Copa no quintal vizinho. Os caras não trouxeram nada e vieram cheios de fome.
  
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Minhas amigas encalhadas estão em êxtase. Essas sim, estão se dando bem. Dizem que o Tinder será canonizado e ocupará o lugar de Santo Antônio. As barangas andam de nariz empinado e estão completando seu álbum de figurinhas particular.Estão jogando War com 24 territórios como objetivo. E para nós, nada.
É homens… Essa Copa do Mundo não é nossa!
 
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Dr. Gilvan, respeite a camisa azul do Cruzeiro!

27 de Novembro de 2013 

Por Otávio Ogando

Gilvan

Não tenho a menor vergonha de dizer que, com apenas dois anos de mandato, o senhor, Dr. Gilvan, é o melhor presidente que o Cruzeiro já teve. Sanou as dívidas do clube. Contratou bem. Montou um super time. Valorizou a base. Trouxe um treinador vencedor. Foi campeão brasileiro!

Sabendo de suas qualidades e ciente da sua inteligência administrativa é que te peço. Te peço não. Te imploro! Por favor, respeite a camisa azul estrelada do Cruzeiro. E não digo isso no sentido figurado. É no sentido literal mesmo! Respeite a camisa do Cruzeiro. O uniforme. O manto. O pedaço de tecido azul com cinco estrelas bordadas na frente e um número branco atrás. Porque só uma palavra descreve a camisa do Cruzeiro nas últimas temporadas: descaracterizada!

Como uma camisa que já foi assim:

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Pôde ficar assim?

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Sei que os tempos são outros, que o clube precisa fazer caixa. Mas conte comigo: além da parte branca nos ombros, tem dois BMG gigantes e laranjas, dois símbolos da Olympikus, dois Guaramix, uma logo da TIM por número, uma coroazinha, o nome do jogador, um Angáprev embaixo, um selo de autenticidade no canto inferior direito e, nos últimos jogos, um “sócio do futebol” em cada ombro. São doze elementos gráficos competindo com as cinco pequenas estrelas no peito!!! E fico imaginando o abadá que o senhor está armando para o ano que vem agora que, além disso tudo, vão colocar também o escudo da CBF, de campeão brasileiro!

Te pergunto, Dr. Gilvan: Vale a pena?
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Quanto paga essa Guramix? 2 milhões por ano? Não dá pra crer que o senhor permita tamanha poluição visual pelo dinheiro da renda de um jogo contra o América de Tchotchó no Mineirão! Agora, se a intenção for transformar a camisa do Cruzeiro na camisa do Paysandu, o senhor está no caminho certo.

E pelamordedeus: Fora BMG! Que além de laranja tem um presidente atleticano. Na real, o presidente pode ser o capeta em pessoa, que não me importo!  Desde que as cores do patrocinador não conflitem tanto com o manto azul celeste…

Eu sei que o senhor vai dizer: “Bobagem. Quem quer ver o time campeão, tem que abrir mão de caprichos para conseguir receita para o clube”. Pode ser, Doutor Gilvan. Mas, pense que, quanto menor o número de anunciantes, mais o senhor poderá cobrar do patrocinador master. E nem preciso dizer que uma camisa bonita vende mais, gera mais receita e deixa o torcedor mais feliz. E não é essa a razão para tudo isso? Dê uma olhada em quantas réplicas de camisas antigas você encontra nos jogos do Mineirão. As pequenas manufaturas nunca venderam tanto. O torcedor sonha com um uniforme digno. Se 100 mil foram as ruas comemorar o título, garanto pelo menos 200 mil festejando a saída do BMG.  Eu mesmo prometo que faço outro sócio se os pedidos forem aceitos.

Dr. Gilvan de Pinho Tavares, escute a torcida. Limpe a camisa. Aumente as estrelas, que devem ser bordadas e não silkadas. Tire a coroazinha. Reduza os patrocinadores para no máximo o Master e mais um na manga. E, quem sabe, faça uma eleição entre os sócios para escolher modelos para a nova camisa. Talento na nossa torcida é o que não falta.
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A propósito, feche com um fornecedor decente! Seja Nike, seja Adidas. Umbro e Puma também são aceitáveis. Alguma que consiga suprir a demanda. Não importa que sejam multinacionais super exploradoras. Por mais duro que seja, eu consigo viver com isso. O que não dá mais para agüentar, é essa camisa de tirar o sono.

Pode parecer um assunto irrelevante, mas posso provar que não é. Basta perguntar ao seu amigo Ciscotto o quanto ele foi importunado esse ano com perguntas sobre a Caixa patrocinando o clube. Ou quantos cliques alcançam as matérias sobre o assunto nos grandes portais.

Por isso te peço, Dr. Gilvan, respeite a camisa azul do Cruzeiro! E a branca também!

Nem que pra isso tenha que negociar um jogador. O Egídio, quem sabe.

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Por Otávio Ogando

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