7 razões para o título do Cruzeiro que você não vai ver em nenhum jornal

13 de Novembro de 2013
Por Otávio Ogando 
    
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Cruzeiro é o campeão absoluto do Campeonato Brasileiro de 2013. Razões não faltam para isso. Na imprensa, eles destacam algumas. Umas bem superficiais como: é um ano bom para Minas ou o nível do campeonato está muito fraco. Bobagem. Outros foram mais a fundo e se ligaram na montagem do elenco, no aproveitamento da base, no olhar do técnico, na volta do Mineirão, no sócio torcedor e na força da torcida.
     
Mas existem 7 razões para o sucesso do Cruzeiro em 2013 que você não vai ver em nenhuma mesa redonda, jornal ou rádio.
     
Aqui estão elas:
     
1 – O time dos casados
    
Em todo o ano de 2013, o Cruzeiro não registrou nenhum caso de indisciplina. Nem um.
Atraso, festas ou orgias: zero. Feito raro no futebol.
Isso só foi possível porque o Cruzeiro é o time da Série A com a maior média de jogadores casados no elenco.
É muito mais fácil para o Marcelo administrar um elenco assim. O jogador sai de uma concentração e vai para outra muito mais pesada.
Veja a lista:
   
Fábio (casado)
         
Ceará (casado)
Bruno Rodrigo (casado)
Dedé (enrolando)
Egídio (vida loka)
       
Lucas Silva (virgem)
Everton Ribeiro (noivo)
Ricardo Goulart (casado)
Julio Baptista (muy bien casado)
      
William (casado e pai de novo)
Dagoberto (casado)
Borges (casado)
      
Nilton (enjaulado)
      
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2 – A final do Mineiro
    
O Cruzeiro perdeu a final do Mineiro. Perdeu, mas ganhou.
Um marco na relação Cruzeiro/Torcida este ano foi exatamente a final do campeonato Estadual.
Depois de um 3×0 contra no primeiro jogo, a imprensa já dava a final como resolvida.
Para todos, o Atlético já era o campeão, menos para a torcida do Cruzeiro.
Abraçou o time, fez carreata, encheu o estádio, cantou os 90 minutos e no primeiro tempo já estava 2×0.
Mas, graças aos Deuses do Futebol, o Cruzeiro felizmente sofreu um gol. De pênalti. Inexistente.
Nada mudou. A torcida continuou a cantar, inclusive depois do apito final.
Os jogadores se encantaram com China Azul e saíram de campo com o sentimento de débito com os torcedores.
     

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3 – Férias na Disney

Todos os jogadores enaltecem a união do grupo, o companheirismo e a falta de vaidade individual.
Mas como um grupo que se formou há pouco tempo já alcançou esse tamanho entrosamento?
Com uma formula que funciona desde a minha época de colégio: uma Excursão.

Na parada para a Copa das Confederações o time do Cruzeiro viajou para os EUA para uma série de amistosos com equipes locais.
E a primeira parada foi exatamente em Orlando, Flórida. A Terra do Mickey! Foi uma diversão para as famílias, esposas, crianças e jogadores!

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4 – A imprensa Mineira

Se tem alguma relação da Libertadores 2013 com o campeonato do Cruzeiro é o efeito que ela causou na imprensa mineira.
Desde que o Cruzeiro brilhou em 2003 e ultrapassou o Atlético em todos os quesitos, a Imprensa mineira, majoritariamente atleticana, se dedicou ao trabalho de impedir que o Cruzeiro fosse campeão novamente. Foi assim durante 10 anos. Enaltecendo Celsos e queimando Adilsons.
Mas a campanha do Atlético na Libertadores distraiu os secadores de plantão que deixaram o caminho aberto para o time celeste brilhar. Quando se deram conta era tarde demais.

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5 – Os Hits
     
Toda campanha de sucesso tem um música para acompanhar. É assim nos filmes, na publicidade, na política e até nos relacionamentos.
No futebol não é diferente. Uma boa música embala e leva à conquista. E nesse ano o Cruzeiro teve duas!

6 – A concorrência interna
    
Todo mundo fala que um campeonato de pontos corridos ganha o melhor elenco. Mas no Cruzeiro um elenco qualificado não significa apenas boas peças de reposição, mas sim uma ferrenha disputa pela titularidade. No Cruzeiro ninguém tem cadeira cativa no time. Se você nao estiver bem, é melhor se ligar porque tem um melhor no banco querendo entrar. Se o Ceará vai mal, coloca o Mayke. O Souza deu mole, perdeu pro Lucas. William tá perdendo gol, entra o Dagoberto. Todo mundo tem um reserva a altura ou ainda melhor.
A exceção é o Egídio. E isso explica muita coisa.
     
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7 – O Mitto
Aquele não.
Esse.
  
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Leia também:
Era uma vez em Belo Horizonte (crônica sobre a história do futebol na capital mineira)

O Verdadeiro Problema da Copa do Mundo no Brasil (ou o pior deles)

Texto de 10 de Junho de 2013 extraído do blog mesaxquadrada.wordpress.com 

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Por Otávio Ogando

A Copa de 2014 no Brasil vai ser um fiasco. E não é por causa dos estádios. E nem do dinheiro gasto com eles. Não é também por causa da acessibilidade e da falta de estrutura de algumas cidades para receber turista. Não vai ser pelos aeroportos, pela malha rodoviária, ferroviária, hidroviária, metroviário ou  por qualquer meio de transporte deficiente.  Isso a gente da um jeito.

Não vai ser também culpa do teimoso Felipão e da falta de padrão de jogo. Ou da falta de entrosamento dos jogadores, nem dos braços curtos do goleiro Julio César.

A culpa é simples. É única. É clara. Preparados?

O Brasil não tem música para cantar no estádio.  Não tem. Não tem um grito. Um hino. Um refrão. Algo que inspire. Que agrupe. Que levante. Que empurre. Que anime. Que abrace. Que empolgue. Que balance. que entretenha. Que vença uma partida difícil. Isso ficou claro na Copa das Confederações. A torcida queria cantar mas não sabia o que. Apoiou mas poderia ter apoiado mais.

E não subestime o valor de uma música. Cantos moldaram a história do mundo. Elegeram presidentes. Findaram ditaduras. Geraram mitos. Criaram zebras. Proporcionaram viradas. Venceram jogos. Te digo, uma música bem entoada em 50 evitaria o Maracanazo e todos os traumas que vieram em seguida.
A torcida muda sim o resultado dos jogos. Mas só se for ouvida. É por isso que campeonato de Tênis não tem surpresa.

Mas a torcida brasileira não tem música. É, tem umas na real. Tem a melancólica “eu sou brasileiro”, tem o “lele o do Silvio Santos”, o “Brasil papapa” e o clássico “Ei, vai tomar no cú”.  Mais nada. É pouco. É nada. É foda. Em parte, a culpa é da CBF que desacostumou o torcedor brasileiro mandando fora do país a maioria dos jogos da seleção. O vôlei tem uma torcida mais animada porque está sempre jogando aqui.

A música é a exaltação do espírito ufanista que deve brotar em época de copa do mundo. A Argentina tem música pra seleção. A Itália tem. A Alemanha. Até o Chile tem um par de músicas. Mas o Brasil não. É triste. Ver os últimos jogos do Brasil tem sido tão chato quanto ver jogos com portões fechados. Depois do hino, a torcida morre.

Lá fora quem não tem música canta Seven Nation Army. É o famoso Po POPO po popo PO po.  50% das torcidas do mundo fazem isso. E não é só no futebol.  Está funcionando em Miami nas finais da NBA. Daqui a pouco pega aqui. Mas a gente pode mais. Principalmente pela variedade de cantos de times espalhados pelo país.  Tem que escolher um. É montar uma charanga e ressuscitar o Gaúcho, o Bolão, o Fubá! Por onde andará  Dartagnan e sua equipe, campeões olímpicos em 92 com a mítica “Em cima embaixo puxa e vai”?

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E você, vai ficar de braços cruzados vendo essa tragédia?

Agora é a sua vez. Crie uma música, faça um video, bombe nos estádios e salve a Seleção Brasileira.

Por Otávio Ogando